Cigarro Eletrônico, Vape e Tabaco na Volta dos EUA: o que Pode e o que é Proibido
Em resumo: desde a RDC nº 855/2024 da Anvisa, é proibido o ingresso no Brasil de qualquer dispositivo eletrônico para fumar (vape, pod, cigarro eletrônico, tabaco aquecido), seus refis, peças e acessórios, inclusive na bagagem do viajante e para uso próprio.
Cigarros comuns estrangeiros podem entrar com isenção até 10 maços; charutos e cigarrilhas, 25 unidades; fumo, 250 g.
Acima disso, o excedente não vai para o imposto simplificado de 50%: segue o regime comum de importação.
Menores de idade não podem ter tabaco na bagagem.
Nos EUA, cigarros eletrônicos, pods e refis são vendidos em lojas de conveniência e tabacarias. Para o viajante brasileiro, a pergunta "posso levar um para mim?" tem resposta curta: não. O vape é proibido no Brasil, e a proibição alcança expressamente a bagagem de quem chega do exterior.
Já os produtos de tabaco tradicionais (cigarros, charutos, fumo) podem entrar, mas com limites próprios e mais rígidos do que os outros bens. Este guia explica as duas regras, com base no texto da Anvisa e nas páginas da Receita Federal conferidas em outubro de 2026.
O que diz a RDC nº 855/2024 da Anvisa
A Resolução da Diretoria Colegiada nº 855, de 23 de abril de 2024, proíbe a fabricação, a importação, a comercialização, a distribuição, o armazenamento, o transporte e a propaganda de todos os dispositivos eletrônicos para fumar (DEF). O art. 3º, § 1º, inclui na proibição:
- acessórios, peças, partes e refis destinados ao uso em DEF;
- outros DEF com funcionamento ou matrizes diferentes dos descritos na norma;
- produtos e embalagens infantojuvenis e alimentos que imitem a forma de DEF;
- o ingresso no país de produto trazido por viajantes por qualquer forma de importação, incluindo a modalidade de bagagem acompanhada.
A única exceção é a importação para pesquisa científica, feita por instituições credenciadas e pelo Siscomex. Não existe exceção para uso pessoal.
A norma também proíbe o uso de qualquer DEF em ambiente coletivo fechado e prevê que o descumprimento é infração sanitária, com as penalidades das Leis nº 9.294/1996 e nº 6.437/1977, sem prejuízo de responsabilidade civil, administrativa e penal.
O que conta como "dispositivo eletrônico para fumar"
A definição da RDC é ampla. Entram:
- produtos descartáveis ou reutilizáveis;
- produtos com matriz líquida (com ou sem nicotina) ou sólida;
- aparelhos que aquecem tabaco (folhas ou extratos de tabaco) ou outras plantas — o chamado tabaco aquecido;
- dispositivos com óleos essenciais, complexos vitamínicos ou outras substâncias.
Ou seja: vape "sem nicotina", pod de sabor, "vitamina para inalar" e aparelho de tabaco aquecido estão todos dentro da proibição. A página da Anvisa sobre cigarro eletrônico lembra que a proibição existe no Brasil desde 2009 e foi mantida em 2024 após avaliação de riscos à saúde.
E se eu já uso vape e vou viajar?
A RDC proíbe expressamente o ingresso no país de DEF trazido por viajante, e a proibição vale para o produto, não para a origem da compra. Um vape levado do Brasil e trazido de volta, um pod usado ou um refil lacrado comprado em Orlando estão na mesma situação: não podem entrar na bagagem.
Na prática, quem viaja com vape deve contar que ele não poderá voltar na mala. E não adianta declarar ou se oferecer para pagar imposto: um produto de ingresso proibido não é liberado mediante tributação.
As regras do voo para cigarro eletrônico
Independentemente da proibição brasileira, o transporte aéreo tem regras de segurança por causa das baterias de lítio. Segundo a TSA (página atualizada em 29/03/2023):
- dispositivos eletrônicos para fumar são permitidos somente na bagagem de mão; nunca na mala despachada;
- o passageiro deve tomar medidas para evitar o acionamento acidental do aquecedor;
- cada bateria de íon-lítio não pode passar de 100 Wh (ou 2 g de lítio, no caso de bateria de lítio metálico);
- a companhia aérea pode limitar a quantidade de dispositivos por passageiro.
Cigarros comuns, segundo a TSA, podem ir na bagagem de mão e na despachada. Isqueiros e baterias têm regras próprias; veja o guia da mala de compras, que traz também as regras de power bank.
Cigarros, charutos e fumo: os limites da Receita
Para os produtos de tabaco tradicionais, valem limites quantitativos específicos. Segundo a página da Receita Federal sobre isenções, cotas e limites (atualizada em 27/01/2026), por viajante, na bagagem acompanhada:
| Produto | Limite para isenção |
|---|---|
| Cigarros de fabricação estrangeira | 10 maços de 20 unidades, no total |
| Charutos ou cigarrilhas | 25 unidades, no total |
| Fumo | 250 g, no total |
Esses itens também entram na cota de valor de US$ 1.000. A tabela completa de limites está no guia de limites quantitativos da bagagem.
Passou do limite? Não é o imposto de 50%
Aqui o tabaco é diferente de uma camiseta ou de um perfume. Para a maioria dos bens, o que passa dos limites de quantidade continua sendo bagagem e paga o imposto de 50% do regime especial. Mas, no Perguntas e Respostas do Guia do Viajante (item 1.16, atualizado em 04/09/2026), a Receita abre uma exceção: bebidas alcoólicas, cigarros, charutos e fumo acima dos limites devem seguir os procedimentos do regime comum de importação. É um caminho mais burocrático e caro, pensado para importações, não para viajantes.
Resumo prático: não passe dos 10 maços.
Cigarros proibidos mesmo dentro do limite
A lista de bens proibidos da Receita (atualizada em 10/04/2026) inclui:
- cigarros e bebidas fabricados no Brasil destinados à venda exclusivamente no exterior;
- cigarros de marca que não seja comercializada no país de origem.
Se você encontrar nos EUA um maço de marca brasileira "de exportação" mais barato, deixe na prateleira. A lista completa está no guia de itens proibidos na bagagem.
Free shop de chegada: limites separados
As compras no free shop do aeroporto de chegada ao Brasil têm cota adicional de US$ 1.000 e limites próprios para tabaco, segundo a mesma página da Receita: 20 maços de cigarros, 25 unidades de charutos ou cigarrilhas e 250 g de fumo preparado para cachimbo, em portos e aeroportos. Os menores de 18 anos não podem comprar bebidas alcoólicas e artigos de tabacaria no free shop, mesmo acompanhados. Detalhes no guia do free shop de chegada.
Free shop não vende exceção à RDC 855: cigarro eletrônico continua proibido.
Crianças e adolescentes
A Receita é explícita: bebida alcoólica, produtos de tabacaria ou outros produtos cujos componentes possam causar dependência física ou química não podem integrar a bagagem de crianças ou adolescentes, mesmo quando acompanhados dos responsáveis. Não distribua os maços de cigarro na mala dos filhos para "aproveitar a cota" deles: além de não ser permitido, as cotas são individuais e cada bem fica vinculado a quem o traz.
O que acontece se o vape for encontrado na bagagem
Como o ingresso é proibido pela Anvisa, o produto não é liberado mesmo que você o declare ou se ofereça para pagar imposto. A RDC classifica o descumprimento como infração sanitária. Pela página de penalidades da Receita (atualizada em 16/10/2023), bens proibidos ficam sujeitos à apreensão para aplicação da pena de perdimento.
Checklist antes de embarcar de volta
- Nenhum vape, pod, refil, bateria de vape ou aparelho de tabaco aquecido na bagagem.
- Cigarros estrangeiros: no máximo 10 maços por adulto na mala.
- Charutos: até 25 unidades; fumo: até 250 g.
- Nada de cigarros de marca brasileira comprados nos EUA.
- Nada de tabaco na bagagem de menores.
- Quer comprar mais cigarros? Use a cota do free shop de chegada, respeitando os 20 maços.
Para o restante das compras, veja o guia de o que comprar em Orlando e as categorias.
Vape e Tabaco na Bagagem: Dúvidas Frequentes
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Fontes consultadas
- Anvisa — RDC nº 855, de 23 de abril de 2024 (texto no Anvisalegis)
- Anvisa — Cigarro eletrônico
- Receita Federal — Isenções, Cotas, Limites Quantitativos e Free Shop — atualizada em 27/01/2026
- Receita Federal — Proibições e Restrições — atualizada em 10/04/2026
- Receita Federal — Guia do Viajante: Perguntas e Respostas — atualizada em 04/09/2026 (item 1.16)
- TSA — Electronic Cigarettes and Vaping Devices — atualizada em 29/03/2023
- TSA — Cigarettes
- Receita Federal — Infrações e Penalidades — atualizada em 16/10/2023
Regras e valores conferidos em outubro de 2026. Normas mudam: confirme sempre na fonte oficial antes de viajar.